Tenho um vício. Digitar palavras soltas nos canais de vídeo e ver o que aparece. Isso tem sido um barato, um tanto nããrd, eu sei, mas tenho descoberto cada coisa bacana! Quando encontro vídeos legais, sempre me pergunto, se um dia vou conseguir fazer algo parecido, ou pelo menos pensar em algo parecido. O problema é que as vezes esqueço como cheguei em determinado vídeo. Enfim, encontrei um bem legal outro dia, era um vídeo clipe que na verdade mostrava janelas da cidade e eu tenho fascínio pelas janelas dos prédios, principalmente pelo mistério.
Uma noite dessas, resolvi ir ao cinema. Era um sábado, aliás. Ideia estúpida a minha eu sei, porque a fila dava voltas e voltas, conclusão? Desisti. Desistimos, porque eu estava com uma amiga. Então resolvemos dar um rolê pela Augusta e desistimos, de novo. Fomos para a minha casa tomar vinho e ver filme. Touchê! Assistimos um filme (como havia descrito no Facebook): Genial, mas nem tanto. Woody Allen, mas nem tanto. Jeunet, mas nem tanto. Deu para entender?
Assistimos o longa argentino "Medianeras", que é basicamente uma crônica sobre o mundo virtual e real, sobre os encontros e desencontros e sobre o Wally. Ahnn? Sim, onde está o Wally. Foi a metáfora com mais sentido que eu já vi. Não sei se é porque eu sempre quis entrar nos livros do Wally...eu sempre me imaginei no meio daquela muvuca, até gostaria de esbarrar o Wally, mas o que me interessava mesmo, eram as histórias das pessoas que eu poderia trombar naqueles contextos malucos. Já era uma dica de como seria a minha vida nessa capital São Paulo?
Lugar onde todo mundo diz que vai combinar alguma coisa, mas não combina no primeiro (re) encontro. Cidade das pessoas amargamente silenciosas. Dos desencontros amorosos, da armadilha de querer todo mundo, ter todo mundo e não ter nada ao mesmo tempo.
Olha, eu nunca me exclui desse discurso, mas também nunca pensei em não encontrar o Wally por ai. Só que, eu acredito na distração, no acaso, na risada sem querer querendo, no olhar ao fundo e de repente descobrir que " ao fundo", existia alguém. Cidade que engole a gente, que a gente quer engolir.
Eu ainda não perdi a capacidade de chorar. Eu ainda não conheço os atalhos. Eu ainda não sei agir com descaso. Eu ainda não me sinto paulistana. E eu não sei se quero me sentir.
O mais incrível é que na multidão ou você se perde, ou se encontra da forma mais simples e pura: Sozinho. Quer dizer que então, assim sozinho, você estaria pronto para abraçar o mundo? Eu diria que sim e que não. Pronto mesmo a gente nunca está.
É uma questão de vontade, é preciso querer abraçar o mundo e poder fazer isso para mim, é felicidade. Porémmmm, como diz um hermano meu, ser feliz é uma questão de coragem e apetite.
Espero que faça algum sentido...mas se não fizer, tudo bem.
E viva as minhas férias! E viva o ócio criativo!
PS: Segue o link do vídeo dos prédios e do trailer do Medianeras!
Cold mailman - Time is of the essence from André Chocron on Vimeo.
Medianeras from trigon-film on Vimeo.
